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Britos – O Nascimento da HQ

lucas lima | 10 agosto 2010

Em 2003, depois de finalizar a matéria de capa do Caricato 2, escrevi, em uma noite de insônia, a primeira versão de um roteiro para uma história em quadrinhos sobre a fantástica Lenda da Serpente da Igreja Matriz de São Bento. Esta lenda se inicia, em uma de suas inúmeras versões, no Linchamento dos Britos, ocorrido em 1897. Este é o gancho que usei para criar a narrativa.

Este projeto ficou guardado muitos anos, em compasso de espera, fermentando. Há um ano e meio voltei a trabalhar firmemente nele.

Mexi bastante no texto, a ponto de permanecer pouca coisa do primeiro esboço de 2003. Mas não trabalhei sozinho. Minha mulher Lilian foi imprescindível quando a história me deixou em algumas encruzilhadas.

O roteiro está finalmente pronto. Os personagens, criados.

Contei com a ajuda de meu amigo Renan Bergo para fazer uma detalhada pesquisa histórica iconográfica da época, já que a HQ, que se passa em 2083, volta ao século 19 para “recontar” o linchamento.

Foi preciosa também a ajuda do jornalista José Maria Viana, autor de “Araraquara 212 anos” . Graças a ele e a seu livro, consegui a imagem da primeira Matriz, construída em 1805.

Começa então uma nova etapa do projeto: os desenhos. Hoje acabei o lápis da primeira página!

Este post servirá pra mim como um marco do dia que comecei a desenhar a HQ, que deverá me fazer debruçar sobre a prancheta por um tempo considerável. Um trabalho movido apenas pela minha paixão aos quadrinhos e uma enorme vontade de ilustrar essa história tão incrível e marcante.

Desnecessário dizer o tamanho do desafio que terei pela frente, já que nunca enredei pelo drama, pelo fantástico, mas estou adorando.

Esta aí é Luana, personagem principal.

Pra quem não conhece nenhuma das histórias a que me referi, reproduzo abaixo o texto que abrirá o álbum, e explica os primórdios desta maluquice que aconteceu em minha cidade:

______________________

Em 1897, a cidade de Araraquara foi palco de três assassinatos, que repercutiram intensamente mesmo fora do Estado de São Paulo e cujo significado transcendeu, como se verá, o meramente policial. (*)

Durante uma discussão, o jovem jornalista Rosendo de Souza Brito matou, com tiros de seu revólver, o poderoso “coronel” Antonio Joaquim de Carvalho, chefe político local. O crime aconteceu em uma farmácia, em frente à Praça da Igreja Matriz de São Bento.

A polícia prendeu Rosendo. Prendeu também seu tio, Manuel de Souza Brito, que trabalhava na farmácia, alegando que Manuel foi cúmplice no assassinato. Tio e sobrinho foram encarcerados na mesma cela, dentro da precária Cadeia Municipal, também localizada em frente à igreja.

Indignados, parentes e correligionários do “coronel” planejaram vingar sua morte. Durante uma semana usaram de toda sua influência política para incitar a população à revolta. A polícia, igualmente dominada, nada fez para impedir.

Logo após a realização da concorrida missa de sétimo dia pela da alma do “coronel”, aconteceu o anunciado ‘Linchamento dos Britos’. Arrancados de suas celas, Rosendo e Manuel foram brutalmente espancados até a morte por mais de duas centenas de pessoas.

Seus corpos passaram toda a madrugada expostos na praça, na Praça da Igreja Matriz de São Bento.

Diz uma lenda que naquele local nasceu uma serpente, que hoje vive bem abaixo de um grande chafariz.

Esta serpente espera, e enquanto espera, cresce. Seu repouso macabro só será quebrado quando as obras da igreja forem finalmente concluídas.

Neste dia, a furiosa serpente brotará do solo e destruirá toda a cidade.


(*) Esta também é a frase inicial do livro “Britos – República de Sangue”, principal base de minha pesquisa. A tomo emprestada como uma homenagem ao seu autor, Rodolpho Telarolli, grande historiador araraquarense falecido em 2001.

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Um comentário to “Britos – O Nascimento da HQ”

  1. Renan comentou em:
    10 agosto 2010 às 5:13 pm

    Massa o desenho da Luana, tô louco pra ver essas páginas! Sorte aí!

    Abraço!

Comentários